A tecnologia chega às escolas 
"O Plano Tecnológico da Educação" prevê que em 2010 haja 27.000 quadros interactivos nas escolas portuguesas e que cada sala de aula esteja equipada com um computador e um projector que permita a habitual utilização de conteúdos audiovisuais pelos professores, o acesso à internet projectada no ecrã etc.
Os computadores, a tecnologia digital e as inovações no mundo audiovisual já transformaram as nossas sociedades. E tudo continua a mudar a uma velocidade estonteante.
(..) Nas escolas, as novas tecnologias estão a dar os seus frutos e prevemos que irão produzir uma verdadeira revolução nos tempos mais próximos. Já começamos a ver a utilização dos quadros interactivos que tornam muito mais atraentes e fáceis de perceber as explicações do professor. Em breve teremos que mudar a expressão “chamar o aluno à pedra”. Ele poderá também manipular o que está no quadro e dar o seu contributo interessadamente e de uma maneira lúdica.
A utilização dos retroprojectores para a ilustração das aulas já era uma boa técnica, mas com o uso do portátil e do projector de vídeo as novas possibilidades são incomparáveis. Cada bom profissional do ensino terá no seu computador uma base de dados com textos, esquemas, planos de aula, pequenos vídeos que poderá projectar quando achar conveniente.Todos sabemos a força e o impacto que as imagens têm. É costume referir que uma imagem vale mais do
que mil palavras. E, de facto, elas poderão ser um bom ponto de partida para se poder atingir os processos cognitivos mais exigentes. Os nossos alunos cresceram rodeados de imagens e os seus cérebros foram
moldados nesse contexto. Sendo assim, a escola terá de ir ao encontro dessa condição para alcançar os seus objectivos mais ambiciosos.
Sabemos que um dos grandes problemas da escola é o insucesso, o abandono precoce e a indisciplina que, muitas vezes, resulta da passividade dos alunos que dificilmente conseguem suportar longas exposições teóricas, muitas vezes desenquadradas dos seus interesses. É uma seca! dizem eles. Têm que estar sentadinhos a escutar o professor em aulas de 90 minutos e por vezes não aguentam mais. As raparigas conseguem resistir mais algum tempo, mas os rapazes querem acção e o ensino tradicional pouca acção lhes dá. Será que com as novas tecnologias e a orientação inteligente dos professores, conseguiremos ultrapassar esta situação?
Não podemos ficar pelas eternas lamentações que atribuem todas as culpas aos pais, ao desinteresse, à impreparação e má vontade dos alunos, que só querem brincadeira, que estão viciados nos jogos, nas novelas e em tudo o que é superficialidade e que, ainda por cima, só sabem é faltar ao respeito aos professores. Tudo isto pode ser verdade, mas não podemos continuar na atitude recriminatória sem um esforço para mudar métodos de há 30 anos que podiam ser eficazes mas que já não servem para esta geração que foi moldada pela televisão, pelas consolas e pelos computadores. (...) "
Professor Turé Couto
Fonte :
http://jornal.esfmp.pt/node/4