terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Psicologia e os jogos eletronicos

Como acontece em todas as competições, o aspecto psicológico nos eSports é um dos factores mais importantes a ter em conta quando se vai à conquista de uma qualquer vitória num torneio, seja ele de pouca importância ou uma final mundial. Dividindo o tipo de jogo em dois grandes grupos, os que se jogam pelo cronómetro e os que se jogam até perfazer um número estabelecido de pontos/rondas, a pressão a que os jogadores destes dois grupos estão sujeitos é notoriamente diferente.


Enquanto que jogando pelo cronómetro obter uma vantagem significativa indica normalmente que o jogo está ganho, como por exemplo estar a ganhar 5-0 num Pro Evolution Soccer ou por 20 frags num Unreal Tournament, num jogo disputado por rondas é preciso concretizar a última ronda, aquela que nos dá a vitória final, pois até lá nada está ganho. Em quase todos os torneios de Counter-Strike, o jogo com a notoriedade que todos sabemos, observam-se recuperações milagrosas e partidas onde uma das equipas “já ganhou” mas acaba por perder, muitas vezes por pensar exactamente que “já ganhou”.


O segredo para estas recuperações reside, muitas vezes, na força de vontade e na atitude de quem está a perder mas também na atitude de quem está a ganhar. Quantas vezes se observam equipas que alcançam a 15ª ronda na fase a eliminar e relaxam, porque aquele match já não perdem, na pior das hipóteses empatam e lançam o grito “este já está”. Esquecem-se é que sem fazerem a 16ª ronda o jogo não acaba. Existe algo terrível chamado overtime e estatisticamente verifica-se que quem recupera de uma desvantagem significativa para igualar a 15 normalmente ganha o OT.


O chamado “killer instinct” é algo precioso em qualquer tipo de competição. O não deixar o adversário ganhar confiança, o atirá-lo ao tapete o mais rapidamente possível e depois terminar o combate na primeira oportunidade, o “dar-lhe enquanto ele está por baixo”, é uma qualidade que apenas alguns jogadores possuem. Mesmo vários dos melhores jogadores de determinados desportos, como por exemplo o ténis, andam com 5 e 6 Matchpoints para conseguirem terminar um encontro, pois embora tecnicamente sejam muito bons, falta-lhes aquela frieza, falta de piedade pelo adversário e vontade de o deixar ko definitivamente. Muitas vezes acabam mesmo por dar confiança ao seu oponente, ao mesmo tempo que começam a perder confiança nas suas capacidades, e vencer um adversário que estava desmoralizado e que de repente começa a acreditar no seu jogo e nas suas possibilidades de vencer a partida pode ser muito complicado, pois enquanto não se concretizar a tal ronda/ponto final o jogo não está acabado.


Já no caso em que o jogo se disputa por tempo, uma das maiores qualidades é saber jogar com o cronómetro. Há momentos-chave em qualquer jogo que os melhores jogadores sabem controlar e obter benefícios através de uma mudança de estratégia na altura certa. Quando o tempo escasseia, o passar a defender o resultado quando se está a ganhar ou o atacar a toda a força quando se está a perder, tanto podem resultar, se forem feitos na altura certa e com jogadores que o saibam fazer, como podem ser catastróficos se quem o faz não tem perfil para esse tipo de jogo. Um jogador que seja muito ofensivo e apenas saiba marcar golos ou carregar para cima do adversário e matá-lo, pôr-se à defesa pode ser a pior atitude pois, provavelmente, não o saberá fazer convenientemente e, ao mesmo tempo, dá margem de manobra ao adversário.


Portanto, mais importante do que ler conselhos dados de uma forma geral e por pessoas que não sabem quem somos, conhecer as nossas limitações e virtudes, quais os aspectos do jogo em que somos bons e em que somos menos bons (de forma a tentar levar o jogo para situações que nos sejam favoráveis) e traçar um perfil correcto do nosso adversário (seja antes ou mesmo durante o jogo) para que possamos explorar os seus pontos fracos, é meio caminho andado para o triunfo. Isso e aquela atitude do “antes quebrar que torcer”.



Perguntaram uma vez ao grande campeão de ténis Pete Sampras, já depois de se ter retirado dos courts, qual o segredo para tamanho sucesso. E a resposta foi simples: “Sabe, é que eu odeio perder”.





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